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Image O nosso grupo “Regulação do Ciclo Celular” estuda o processo de multiplicação das células no organismo. Este mecanismo é indispensável ao desenvolvimento de qualquer organismo, já que permite que uma célula inicial (o ovo) se multiplique e origine um indivíduo adulto (com 100 triliões de células!), daí parte da importância deste estudo. Por outro lado várias são as doenças que estão relacionadas com uma multiplicação descontrolada das células, como é o caso do cancro.

Image Os estudos desenvolvidos neste laboratório centram-se principalmente nos mecanismos de polaridade da célula (nas assimetrias da sua constituição), e na duplicação e função do centrossoma – estrutura celular que, entre outros processos, regula a multiplicação e o movimento das células. As nossas células têm um esqueleto (o citoesqueleto) que distribui/organiza a localização dos seus diversos componentes, tal como as estradas de uma cidade. Entre outras funções, o centrossoma participa na organização do citoesqueleto.

Image Quando uma célula se reproduz, origina duas células geneticamente idênticas. Ante de se dividir, a célula mãe (a original) tem de duplicar o seu material genético (localizado nos cromossomas) e também de duplicar o seu centrossoma, de modo a poder dar um exemplar de cada uma destas estruturas a cada uma das duas células filhas. O citoesqueleto ajuda na distribuição igual dos centrossomas e cromossomas por cada uma das células filhas. A altura do ciclo celular quando ocorre essa distribuição chama-se divisão celular ou mitose.

Image Observando mais detalhadamente o processo de divisão celular, é facilmente identificável o momento em que os cromossomas são separados pelas células filhas.

Image Nos nossos estudos trabalhamos com Drosophila, mais conhecida como mosca da fruta. Células de diferentes organismos, como de levedura (fermento), de mosca, ou de humanos, multiplicam-se de igual forma. Por razões éticas e logísticas, é muito mais fácil fazer experiências com uma mosca do que com humanos! E na verdade, descobertas em leveduras e moscas trouxeram (e trazem) conhecimentos que têm permitem caracterizar melhor diversas doenças (incluindo o cancro), assim como desenvolver melhores estratégias de prevenção, diagnóstico, e tratamento.

Image Os centrossomas, e a forma como se formam na célula, são estudados há mais de um século, mas só nos últimos anos se começou a saber mais. Nós descobrimos que a proteína – SAK – tem um papel fundamental na formação normal dos centrossomas (mecanismo denominado de duplicação centrosomal). Na ausência de SAK, os centrossomas não se formam, enquanto que quando esta proteína existe em excesso na célula formam-se centrossomas a mais. Sabe-se que os centríolos (estrutura que forma o centrossoma) são essenciais para o movimento de células com flagelo, como é o caso dos espermatozóides. Estas estruturas podem estar assim associadas à fertilidade masculina, entre outros processos. Por outro lado, números elevados de centrossomas desregulam a multiplicação das células. E é comum estas estruturas (quer em número, quer em forma) estarem alteradas no cancro.

Nós estamos a tentar perceber como é que a SAK e outras moléculas necessárias à formação de centrosomas, executam tais funções. Um próximo passo será também perceber se todas estas moléculas envolvidas na formação de centrosomas estão alteradas em doenças humanas.